A casa brasileira

O que herdamos, o que assimilamos: nosso jeito de ser, nossa maneira de morar. Os dois Brasis. Ou seriam mais?

Quando se fala em uma casa de estilo inglês, é fácil imaginar as paredes forradas de tecidos, os móveis de madeira escura e linhas formais, o chá servido às cinco horas da tarde – em ponto.
                
Mas o que seria o jeito brasileiro de morar?



Neste vasto território, de quantas linguagens diferentes se vestem nossas casas? Móveis, padrões, cores e materiais foram se incorporando ao nosso gosto, ao longo dos anos, vindo de Portugal e da Espanha, dos povos indígenas e dos africanos, dos imigrantes italianos, dos japoneses e dos alemães. Cada fase histórica trouxe suas contribuições; cada povo deixou sua herança. Portanto, a tradição brasileira, essa alegre fusão de influências, não se traduz em um estilo único, mas em jeitos de morar – e de viver – diferentes em cada região do país.
                               
Não importa o tom predominante: em alguns estados é mais formal, em outros, mais descontraído; alguns são tradicionais. O que todas as regiões de alguma maneira preservam, e que nos vem à memória quando pensamos em casa brasileira, é aquela moradia simples, com passadeira de linóleo descrevendo o caminho que leva à cozinha de tachos de ferro e panelas de pedra-sabão. Que leva, também, aos quartos onde repousam colchas de retalhos sobre as camas e ás salas adornadas com singelas toalhinhas de crochê. É a casa da varanda banhada pelo sol e colorida pelas redes, das jabuticabas no quintal, do café servido no bule de ágata – às cinco da tarde ou em qualquer outra hora em que apareça um vizinho para um dedo de prosa.
                
Como esse nosso Brasil nos faz viajar... Parece já distante  com a modernidade e outras influencias batendo em nossa porta, mas a necessidade desse cantinho brasileiro é visível até os dias de hoje em obras contemporâneas. É a nossa brasilidade acompanhada da modernidade.

Um beijo e até mais!